Ligação e Potencialidades das novas tecnologias para uma melhor cidadania

Ligação e Potencialidades das novas tecnologias para uma melhor cidadania

    Nas últimas décadas, o conceito de cidadania tornou-se muito popular, traduzindo-se num sentimento de pertença a uma comunidade com direitos e deveres. A cidadania deve ser caracterizada “como um conjunto de práticas e de competências individuais, do cidadão com uma participação ativa” (Lopes, 2015). A chegada das novas tecnologias de comunicação e informação e a globalização vieram contribuir para que houvesse mudanças estruturais na sociedade, pois vieram facilitar o acesso à informação e a interação entre pessoas e bens. 
Atualmente as fontes de informação crescem rapidamente e são facilmente acessíveis, fazendo com que a comunicação se torne cada vez mais rápida e eficaz. Por um lado, surge uma nova forma de exclusão social que abrange os cidadãos que não possuem as competências básicas para usufruírem das TIC, denominada de infoexclusão (Álvaro, 2011). 
    Segundo os Censos 2011 (INE, 2011), citado por (Sara Pereira, 2015), Portugal apresenta um quadro de envelhecimento demográfico acentuado, sendo que, são esses idosos que apresentam níveis de escolaridade mais baixos. Estes dados devem-se provavelmente ao facto da escolaridade só se ter tornado obrigatória até aos 18 anos em 2012, e uma vez que, a população idosa atual do nosso país terá nascido entre 1952 e 1927, está nova lei não lhes terá sido aplicada. Naquela altura, a pobreza extrema, a falta de condições habitacionais e escolares, fazia com que as pessoas que não tinham posses monetárias tivessem que abandonar a escolaridade para trabalhar no campo ou em casa. 
    Atualmente muitos são os idosos que não têm possibilidades de aceder às novas tecnologias, e o facto de a sociedade estar em constante mudança, faz com que este grupo possa estar em risco de se encontrar isolado socialmente. (Mellor, Firth, & Moore, 2008). Ainda assim, o número de seniores que acedem à Internet tem crescido nos últimos tempos (Flores,2009) 
    Em oposição, as novas gerações cada vez mais estão ligadas às novas tecnologias. É através destas que é possível por exemplo comunicar com qualquer pessoa a qualquer hora e parte do mundo, o que se torna bastante mais fácil. Também devido às TIC, a informação que é disponibilizada diariamente na internet, quer seja sobre notícias dos últimos acontecimentos pelo mundo ou por ações de solidariedade social veio contribuir para uma melhor cidadania e para um maior e melhor conhecimento por parte da população em geral, pois hoje em dia um apelo que seja publicado online, principalmente em redes sociais rapidamente gera inúmeras receitas. 
Em torno desta temática foi criado o projeto Vokimania, organizado por duas alunas da formação inicial de professores, no âmbito da Unidade Curricular de Prática Pedagógica Supervisionada. Foi implementado numa turma heterogénea de 4.º ano de uma escola TEIP. 
    Este projeto surgiu após ter sido abordado o conto “A Princesa e a Ervilha”, onde as estagiárias dinamizaram uma aula apoiada por um personagem virtual, que assumiu uma presença orientadora de tarefas a executar pelos alunos. Esta personagem em forma de avatar dialogava diretamente com os alunos, o que se tornou bastante motivador para as crianças quererem aprender como se utilizava a ferramenta informática (Flores, Eça, Rodrigues, & Quintas, 2015). 
    No final da Unidade Curricular as estagiárias realizaram um convívio onde os alunos apresentaram as suas criações aos professores e aos pais. Para a utilização deste projeto utilizaram as seguintes ferramentas: Voki, StoryJumper, Tagxedo, Prezi e Pixon. Mas, a mais utilizada durante a intervenção foi o Voki, utilizado na criação de Avatares. Este programa permite a criação de avatares, podendo-lhe adicionar características e tons de voz, os quais comunicam, de forma oral, em pequenos textos escritos ou gravados (Flores, Eça, Rodrigues, & Quintas, 2015). 
    O projeto provou que é possível existir momentos de formação e de aprendizagem exteriores à escola, nomeadamente, através do contacto com as novas tecnologias. O uso destas, pode ser um grande contributo para que os alunos consigam apender melhor, facilitando a comunicação entre professor/aluno, aluno/aluno, aluno/encarregado de educação e professor/encarregado de educação. A professora titular da turma onde foi implementado este projeto descreve a ferramenta como “inovadora, interessante, motivadora, divertida e que cativa a atenção para os conteúdos, pelo que manifesta satisfação na medida em que esta responde a problemas e desafios diários na escola” (Flores, Eça, Rodrigues, & Quintas, 2015). 
    No nosso ponto de vista, enquanto futuras profissionais de educação, consideramos o projeto interessante e motivador, uma vez que, a participação ativa do meio familiar com a comunidade educativa desenvolve sentimentos de partilha e troca de novos conhecimentos. Com esta iniciativa, os encarregados de educação podem sentir-se mais presentes nas aprendizagens do seu educando, visto que, abordam várias áreas do âmbito curricular, com especial destaque para a área do Estudo do Meio, da Matemática e do Português, cativando-os através das novas tecnologias. 
    Atualmente as crianças e jovens passam grande parte do seu tempo na escola, tendo esta um papel fundamental na sociedade. A prática da cidadania implica a cada cidadão e aqueles com quem interage, uma consciencialização cuja evolução acompanha as dinâmicas de intervenção e transformação social, deste modo é importante que haja uma transmissão de conhecimentos e aprendizagens logo desde cedo. Através de atividades adaptadas a cada faixa etária, a escola deve abordar temas muito conhecidos como os direitos humanos, os valores da igualdade, educação ambiental, educação rodoviária e educação intercultural. Não existindo uma idade certa para a implementação destes conteúdos, estes devem estar presente logo desde a educação Pré-escolar até ao Ensino Secundário. 
    A forma como os conhecimentos são transmitidos na escola faz também uma grande diferença no modo como as crianças interpretam, e as TIC ao serem inseridas nas aulas e no meio educativo vieram contribuir para um modelo de alfabetização mais global do futuro cidadão, representando um novo método de aprendizagem mais pessoal e autónomo em que o aluno está envolvido na construção do conhecimento. Assim sendo, a eficácia e a qualidade dos serviços prestados pela escola, resultaram em novas formas de participação social, com cidadãos comprometidos, críticos e conscientes de modo a construir uma sociedade futura mais harmoniosa, justa e democrática. 
    As novas tecnologias contribuem para a forma como nos relacionamos e vivemos em comunidade, estando presentes em diversas ações no dia-a-dia. Na escola as novas tecnologias podem ser utilizadas para uma melhor qualidade do processo de aprendizagem, nomeadamente através da plataforma Moodle, permitindo uma oferta de apoio a disciplinas curriculares e extracurriculares à distância. 


Bibliografia

Álvaro, A. (2011). Escola Superior de Educação Coimbra. Obtido de Cidadania Digital: O Papel das TIC no Exercício da Cidadania dos Adultos. 

Botelho, F. (2005). Textos e Literacias... Obtido de www.setubalnarede.pt 

Educação, D.-G. d. (2013). Direção-Geral da Educação. Obtido de Educação para a Cidadania - Linhas Orientadoras: http://www.dge.mec.pt/educacao-para-cidadania-linhasorientadoras-0 

Flores, P. Q., & Escola, J. J. (2009). O papel das Novas Tecnologias na construção da Cidadania: A plataforma Moodle no 1º Ciclo do Ensino Básico. Observatorio Journal. Obtido de http://obs.obercom.pt/index.php/obs/article/viewFile/134/233 

Flores, P. Q., Eça, L., Rodrigues, S., & Quintas, A. C. (2015). A Cidadania e as TIC: Projeto no 1º CEB. Obtido de http://recipp.ipp.pt/bitstream/10400.22/6337/1/ART_PAulaFlores_2015.pdf 

Lopes, P. C. (2016). Literacia Mediática e Cidadania: uma Relação Garantida? Lisboa. 

Lopes, R., Rodrigues, F., Graça, M., & Marques, A. P. (2013). Significados Scripto-Visuais nos Jornais e Implicações Didáticas. Internet Latent Corpus Journal, I. 

Sara Pereira, M. T. (2015). Literacia, Media e Cidadania. 

Secretária Regional de Educação. (2013). Obtido de Escolaridade Obrigatória: http://www02.madeiraedu.pt/dre/educacao_adultos/tabid/341/ctl/Read/mid/1219/InformacaoId/2411/Unid adeOrganicaId/5/Default.aspx



Ana Serrão e Eliana Lourenço

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